PRODUÇÃO INDEPENDENTE

Novembro 21, 2006

Tudo tão clínico para o meu corpo tão de carne, tão redondo

Arquivado em: auto-inseminação, métodos que falham — by Primípara @ 2:30 am
Foto de Esart

Leãozinho veio ter comigo de autocarro. Voltámos a repetir tudo. Três vezes em menos de 48 horas.
Antes de partir, Leãozinho dizia-me, “achas que devia fazer um teste ao esperma?”
Sorri. Sosseguei-o. Disse-lhe que ainda é cedo, que o nosso método artesanal não é o melhor, mas, apesar de tudo, ainda é cedo. Podemos tentar mais uns meses.
Mas eu sei que em Dezembro é mais que provável não poder ir a Madrid, por causa das reuniões de avaliação. E que, mesmo indo, não passaria de dois dias, o 15º e o 16º, sendo que estou convencida que só acontece ao 17º, 18º, se não for ao 19º. Uma mania que cá tenho!
Falei-lhe na hipótese aventada por Moreno de Veludo, e Doce: inseminação numa clínica. Leãozinho disse que sim, de imediato, mas o facto de sermos de países diferentes complica muito. Implica que eu passe uma semana por mês em Espanha, e não posso fazê-lo por causa do trabalho. E não tenho dinheiro. E, para ser sincera, torna tudo tão clínico.

Usei os apetrechos trazidos por Doce do seu espólio pessoal: seringas com cânulas de silicone. Não só as cânulas eram demasiado finas, e se entortavam no interior da vagina, como o esperma não as atravessava, pelo que tive de as tirar e usar apenas a seringa, tentando introduzi-la o mais longe possível na vagina, mas nunca mais de 8 centímetros.
Usei um outro objecto que me pareceu servir para retirar urina de sacos de algaliados, e se assemelhava bastante a uma seringa longa e fina, com um extensor que lhe permitia ter uns 16 ou 17 centímetros. Mas o extensor revelou-se inoperante, talvez por ser de material inflexível, que não se adapta à fisiologia genital feminina; entrava o extensor, mas não a parte da seringa que permitiria depositar o sémen mais longe, pelo que com esse objecto também não foi mais longe que 10, 12 centímetros, se tanto. Chateia-me falar disto, sei que é ridículo falar disto; no entanto, tenho de falar disto.
Claro que, no processo, se perde material dentro dos objectos, e muito do esperma inseminado, volta a sair, mesmo mantendo-me eu meia hora de pernas para o ar, em posição intragável. Quanto fica lá dentro? Serve para viajar até à trompa de Falópio e aí encontrar o óvulo e fecundá-lo? Gostava de saber. De compreender. Isso e muitas outra coisas.
Mais quinze dias de espera para nada. Nem vou pensar nisso. Juro. Não há nada em que pensar.

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