You can’t always get what you want
But if you try sometimes, you just might find
You just might find
You get what you need
Stones, The Rolling
You can’t always get what you want
But if you try sometimes, you just might find
You just might find
You get what you need
Stones, The Rolling
Quando estou muito triste vejo documentários no Odisseia e no História, para me anestesiar.
Acabei de receber um e-mail de Leãozinho dizendo-me que trate bem do bebé.
Já tratei. Já tratei definitivamente de tudo o que havia a tratar relativamente a este bebé.
Fico sem saber o que dizer, e como dizer.
Não ando feliz.
Um ataque de realismo significa perceber, de repente, que o mais provável é nunca engravidar, nunca ter filhos, porque não tenho com quem.
Conheço muita gente, no entanto, as minhas hipóteses são limitadíssimas. Os homens não estão dispostos a ter filhos comigo, uns; a doar-me esperma, outros. Não há, tirando Leãozinho, com os condicionalismos deste tipo de inseminação, um desgraçado dum homem disposto a ter um filho comigo, foda-se! É como dizia o senhor Ilídio: farrapo humano repelente e desprezível! Foi uma praga; foi para sempre.
Onde quer que esteja deve estar a rir-se de mim gozosamente.
Entretanto, terei perdido muito tempo, energia, dinheiro, e tantas outras hipóteses de melhorar a minha vida – sei que já perdi.
A semana passada arranjei uma espécie de namorado. Conhecemo-nos de antes.
Sabe que quero engravidar. As pessoas sabem. Todos os homens que conheço. Os que desejo e os que não desejo. Não é um segredo.
Com esse “namorado”, que eu não desejava, e não interessam os meus motivos, porque não eram nenhuns (nasci com espírito missionário!), a situação evoluiu para circunstâncias de cama, e, embora tivéssemos falado bastante na questão das doenças sexualmente transmíssiveis, e ambos nos soubéssemos saudáveis, ele achou que deveria usar preservativo, porque “nunca poderia saber se eu o estaria a enganar”. Podia estar no período fértil e não lhe dizer.
Tínhamos falado sobre esse assunto; ele tinha-me dito que não queria ter um filho, mas não se importava que eu o tivesse com outro homem; achei estranho, mas tudo bem, somos todos modernos, e respondi-lhe que podia estar descansado, que não aconteceria, que naquela altura não havia problema, mas dois dias a seguir já haveria, potencialmente. Expliquei-lhe tudo. A verdade é que também não queria ter um filho dele. Tenho muito pena, mas sei exactamente de quem é desejaria ter um filho. De x, sim; e y, também. E de k, não estivesse ele no estado em que está. E de um petisco longínguo a que chamarei Pássaro a Voar Alto.
Mas o “namorado” achou que eu podia enganá-lo. Se o quisesse enganar nunca lhe teria confessado que pretendia engravidar! Mas nunca quis, é a verdade. Não quero enganar; ninguém. Mata Hari e Angel dizem-me frequentemente que já devia ter enganado um gajo qualquer há muito. Não é assim! Um homem qualquer não me serve. Que seja, um homem bonito, bom, saudável, que tenha bons genes. Do qual eu goste.
Não quis. Contra os meus próprios interesses tenho mantido a ideia romântica do pai. Eu gostei tanto do meu pai! O meu pai pegava-me ao colo e atirava-me ao ar, e segurava-me, na queda, enquanto eu ria, e eu era feliz nesses momentos. Ambos éramos. Gostaria que o pai do meu filho também o atirasse ao ar, e o segurasse na queda, e rissem ambos. Queria tudo para o meu filho, se o tivesse. Queria o melhor para o meu filho.
Jamais, para o meu filho, um pai que desconfiasse da minha palavra.
Lamento não ser igual ao resto do mundo que os corrompeu a todos. Eu não andei por lá.
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