PRODUÇÃO INDEPENDENTE

Abril 6, 2007

Existência

Arquivado em: cansaço, depressão, desesperança — by Primípara @ 11:16 am

Queria ser só um passarinho debicando os caminhos num dia de sol.

Março 27, 2007

Tenho a casa toda limpinha

Arquivado em: depressão — by Primípara @ 12:07 am

As orquídeas desfazem-se em flores, e eu sinto-me morrer tão devagarinho.

Março 10, 2007

Deixar passar

Arquivado em: depressão, desesperança, desilusão — by Primípara @ 2:31 pm

Quando estou muito triste vejo documentários no Odisseia e no História, para me anestesiar.

Fevereiro 25, 2007

Quero ir-me embora

Arquivado em: depressão, desabafo, desesperança — by Primípara @ 11:36 pm

Quando ando cheia de raiva e procuro uma saída, e não a encontro, é a raiva que me faz andar, que caminha pelas minhas pernas.

Dezembro 25, 2006

Estou viva e não me dói nada

Arquivado em: cansaço, depressão, desesperança — by Primípara @ 12:33 pm
Acordo todos os dias por volta das nove da manhã, independentemente da hora a que me deite, e fico na cama com os piores pensamentos do mundo, os mais derrotistas, os únicos que consigo ter, enquanto aproveito o calor e torpor do sono, a única coisa que me conforta no meio da depressão.
Não consigo salientar uma área boa na minha vida. Estou viva e, por enquanto, tenho saúde e não me dói nada. Acho que é isto. Quanto ao resto, bebé, profissão, amor, amizade, finanças… vejo tudo numa rampa descendente.
Estou prestes a desistir do bebé, porque não suporto a ansiedade em que tenho vivido inutilmente.
Deixei de saber operar na minha profissão. É como se as máquinas tivessem mudado e eu não tivesse feito uma acção de formação para o efeito.
Finanças, foi-se o pouco que havia com a operação. Via mal antes. Vejo pior, agora, estou apenas operada.

Novembro 27, 2006

Instinto único, doloroso

Arquivado em: depressão, medos, os filhos são o fim do nosso ego — by Primípara @ 1:58 pm
Nas últimas duas noites, penso que ao acordar, tive vislumbres do que sentirei quando tiver um filho. Não sei se foi um sonho. Foi muito rápido, e talvez tenha feito conscientemente por esquecer. Mas hoje voltei a senti-lo. Todos os sentimentos amalgamados num momento de consciência e memória muito reduzido.
Era mãe. Tinha um filho ou uma filha, não sei. Acordava de manhã completamente vazia, desesperada, sem saída e sem esperança. Era um sentimento horrível. Conheço-o porque havia nele angústia, solidão e nada. Conheço. A diferença é que havia um filho e tinha de me levantar por causa dele, embora não conseguisse. Era levantar-me para o nada em nome daquele ser que era tudo. Não tinha vontade. A minha vontade era o instinto único, doloroso, de cuidar daquela criança que precisava de mim. Era o que me fazia andar.
Talvez seja isto o que as mulheres experimentam na depressão pós-parto, quando percebem que deixaram de ter apenas a sua vida para tomar conta, que agora são duas vidas, e que a sua é a que não conta para nada. Que nunca mais contará para nada. Que elas são apenas a matriz de alguém que vale tudo, não elas. Eu serei uma dessas mães que não tem nada a não ser os filhos, se for mãe. Que terá apenas o abraço dos filhos.
Essa antecipação era claustrofóbica, depressiva. Era realista. Não me esquecerei dela. E tentarei ver futuro quando não vir nenhum, e já estiver no futuro com o meu filho que não me dá tempo para existir eu mesma, para respirar.

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