PRODUÇÃO INDEPENDENTE

maio 27, 2007

Adoptar

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Tarde demais. Acho. Esquecer o projecto filho na barriga. Já não é possível. Riscos enormes. Sozinha. Sem forças para todo esse sofrimento sem ajudas. Devo poupar-me ao que nunca me poupou. Devo pensar fora do coração, uma vez na vida. Tratar-me melhor. Ser paciente. Aceitar o que existiu. Não querer voltar atrás para reconstruir o que não pode ser reconstruído. Construir o que é possível agora, com a matéria actual. A minha barriga já não pode ter filhos. Ponto final. A produção independente não é impossível, noutros moldes, mas terá de vir da barriga de outros que não se protegeram. Que nunca se protegeram como eu.

abril 6, 2007

Existência

Filed under: cansaço,depressão,desesperança — by Primípara @ 11:16 am

Queria ser só um passarinho debicando os caminhos num dia de sol.

dezembro 25, 2006

Estou viva e não me dói nada

Filed under: cansaço,depressão,desesperança — by Primípara @ 12:33 pm
Acordo todos os dias por volta das nove da manhã, independentemente da hora a que me deite, e fico na cama com os piores pensamentos do mundo, os mais derrotistas, os únicos que consigo ter, enquanto aproveito o calor e torpor do sono, a única coisa que me conforta no meio da depressão.
Não consigo salientar uma área boa na minha vida. Estou viva e, por enquanto, tenho saúde e não me dói nada. Acho que é isto. Quanto ao resto, bebé, profissão, amor, amizade, finanças… vejo tudo numa rampa descendente.
Estou prestes a desistir do bebé, porque não suporto a ansiedade em que tenho vivido inutilmente.
Deixei de saber operar na minha profissão. É como se as máquinas tivessem mudado e eu não tivesse feito uma acção de formação para o efeito.
Finanças, foi-se o pouco que havia com a operação. Via mal antes. Vejo pior, agora, estou apenas operada.

outubro 25, 2006

O amor é muito cego

Este blogue só para mim foi a melhor coisinha que já inventei.
Vou deitar-me e descansar esta vista, esta cabeça. Estou doente. Agora já fisicamente. Não vejo um boi à frente.
O meu filho, se vier a nascer, vai ter uma mãe que, em alguns dias, tem mesmo 40 anos. Sente 50. Sessenta. Sente-se muito velha. Outros não.
Mas o meu filho vai ter sorte, se vier. Vai ter uma mãe para o amar, beijar, acarinhar, para de lhar uma palmadinha fascista quando se portar mal – porque a palmada, mesmo que tenha as suas virtudes pedagógicas, não humilhando, não ferindo, é sempre um exercício de poder fascista – quando temos de lhes dizer, com a mão sobre a nádega, “tem de ser assim, porque isto é o que está certo, e tu estás a fazer chantagem emocional à qual não vou ceder!”
Mas Mata-Hari diz sempre que vou ser com um filho como com as cadelas: dou-lhes mimos, deixo-as fazer tudo, faço-lhes a vontade. Se calhar vou. O amor é muito cego. Só sei que o amor é muito cego.

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