Tarde demais. Acho. Esquecer o projecto filho na barriga. Já não é possível. Riscos enormes. Sozinha. Sem forças para todo esse sofrimento sem ajudas. Devo poupar-me ao que nunca me poupou. Devo pensar fora do coração, uma vez na vida. Tratar-me melhor. Ser paciente. Aceitar o que existiu. Não querer voltar atrás para reconstruir o que não pode ser reconstruído. Construir o que é possível agora, com a matéria actual. A minha barriga já não pode ter filhos. Ponto final. A produção independente não é impossível, noutros moldes, mas terá de vir da barriga de outros que não se protegeram. Que nunca se protegeram como eu.
maio 27, 2007
abril 6, 2007
dezembro 25, 2006
Estou viva e não me dói nada
Não consigo salientar uma área boa na minha vida. Estou viva e, por enquanto, tenho saúde e não me dói nada. Acho que é isto. Quanto ao resto, bebé, profissão, amor, amizade, finanças… vejo tudo numa rampa descendente.
Estou prestes a desistir do bebé, porque não suporto a ansiedade em que tenho vivido inutilmente.
Deixei de saber operar na minha profissão. É como se as máquinas tivessem mudado e eu não tivesse feito uma acção de formação para o efeito.
Finanças, foi-se o pouco que havia com a operação. Via mal antes. Vejo pior, agora, estou apenas operada.
outubro 25, 2006
O amor é muito cego
Este blogue só para mim foi a melhor coisinha que já inventei.
Vou deitar-me e descansar esta vista, esta cabeça. Estou doente. Agora já fisicamente. Não vejo um boi à frente.
O meu filho, se vier a nascer, vai ter uma mãe que, em alguns dias, tem mesmo 40 anos. Sente 50. Sessenta. Sente-se muito velha. Outros não.
Mas o meu filho vai ter sorte, se vier. Vai ter uma mãe para o amar, beijar, acarinhar, para de lhar uma palmadinha fascista quando se portar mal – porque a palmada, mesmo que tenha as suas virtudes pedagógicas, não humilhando, não ferindo, é sempre um exercício de poder fascista – quando temos de lhes dizer, com a mão sobre a nádega, “tem de ser assim, porque isto é o que está certo, e tu estás a fazer chantagem emocional à qual não vou ceder!”
Mas Mata-Hari diz sempre que vou ser com um filho como com as cadelas: dou-lhes mimos, deixo-as fazer tudo, faço-lhes a vontade. Se calhar vou. O amor é muito cego. Só sei que o amor é muito cego.
