Fizeram-me a curetagem com mera anestesia local às 20h00. Senti a raspagem, como se imagina. Deram-me alta às 22h00.
Ontem, cheguei à urgência às 10h00. Chamaram-me às 11h00 para a triagem e só às 18h30 para tratarem de mim.
Tive dores de noite, com os químicos que me deram para dilatar, mas menos que da outra vez. Durante a noite pensei em tudo. Pensei que se calhar não devia tentar ter filhos, que é melhor adoptar. Pensei que foi incrível a médica, numa gravidez como a minha, não me ter posto em repouso assim que fiquei grávida. Pensei que devia tê-lo pedido eu, e não o fiz. Mas pensei que da parte dela houve um grande desinvestimento, e senti-me muito zangada. Porque estava a correr tudo bem, e isto não tinha que ter acontecido.
Foram buscar-me à enfermaria às 11h00 de hoje, para me deixarem 9 horas à espera, deitada numa maca do corredor da urgência, sem comer desde as 15 de ontem, e sem óculos, o que com a minha miopia significa sem ver. Nove horas. Há muitos médicos e muitos enfermeiros, têm é que almoçar, lanchar e jantar e isso são tudo coisas que demoram imenso. Vêem-se pouco. Sobretudo médicos e médicas. Trabalham os médicos e enfermeiros mais novos enquanto os velhos na casa andam a passear batas e estetoscópios. Tenho pena mas foi o que acabei de ver no Garcia da Horta. Têm muito trabalho?! Não, eu tenho muito trabalho! É vergonhoso! Isto não atinge todos, mas a maior parte. A médica e a enfermeira que entraram no turno das 16 de hoje foram as únicas que realmente quiseram despachar-me. De resto…
Durante as 9 horas que na urgência esperei pela curetagem roubaram-me o telemóvel da gaveta da mesa de cabeceira, na enfermaria. E pronto.