Compreendi esta bola de amargura, insatisfação, incompletude. Vejo-a com uma clareza tão grande. Tantas coisas para dizer.
Tinha razão quando dizia à psicanalista que não queria ter este filho por ele, filho, mas por mim. Quando me zangava por ser questionada. Quando lhe dizia que as outras mulheres não têm os filhos pelos filhos, mas por si. É por nós, não por nenhum amor à manutenção da espécie. Claro que depois são eles só, e não nós, mas a origem de uma gravidez desejada está fundo dentro de nós. No que fomos.
Um filho é um renascimento. É isso que é a maternidade. A possibilidade de nascer outra vez. E é isso que é sagrado. Esse renascimento.
É isso que procuro. Quero renascer exactamente no ponto onde me perdi. Quero a menina negra que me foi roubada. Todos os meninos e meninas negras que me foram tirados real ou simbolicamente. Quero o paraíso. Quero o paraíso que me foi roubado.
