
No Sábado pássado, dia 27, estava com um atraso menstrual significativo para os meus padrões, não aguentei a ansiedade, e fiz um teste de gravidez, dos que se compram na farmácia. Deu positivo.
Estou grávida!
Tenho tido enjoos matinais desde domingo. Pior, vómitos tremendos assim que saio da cama e ponho os pés no chão. E o pequeno-almoço não pode ter leite, nem suporto o cheiro do café.
Grávida até mais não.
E não tenho um tostão furado. Já gastei o ordenado do mês, e recebi há uma semana. Mas feliz. Não sei como é que vou criar esta criança, quando nascer – e espero que desta vez seja verdade – mas estou feliz.
O meu corpo limita-me e a minha mente domina-me. Quem sou eu, afinal, senão uma escrava do que em mim é suposto ser eu?! Escrava de algo que construí para mim, consciente ou inconsciente.
Ontem duvidei das forças que terei para criar um filho bebé. Estava na cama, muito, muito deprimida, com vontade de morrer ou, no mínimo, de tomar comprimidos para ficar anestesiada o dia todo. Pensei que, se tivesse um filho, e fosse necessário recompor-me para tratar dele, como faria?! A depressão, a angústia limitam-me a um ponto que não consigo mover-me, que dói-me pensar, falar, ver a luz, estar viva. A verdade é que, neste momento, a minha auto-estima, a minha auto-confiança, a minha esperança de vida e de satisfação profissional atingiram os níveis mais baixos desde há muito tempo. O últimos dois anos foram de uma grande violência para mim. Foram longos, de tal forma que me parecem muito tempo; os meus anos são a dobrar. Foram intensos, de uma intensidade violenta.
Penso que preciso de tirar férias para mim. Para me dedicar só a mim, só ao trabalho como forma de ocupar tempo, e não pensar em mais nada. Como sempre fiz, aliás. O trabalho sempre substituiu, lindamente, a vida. Penso que preciso de parar de pensar nos filhos. Deixar de me preocupar com isso. Estou cansada dessa obsessão. Sinto-me em ruínas, e, em parte, por ela. Que se lixem os filhos. Se não puder tê-los, hei-de adoptá-los mais crescidos. E hei-de conformar-me, pensando que a minha vida não é pior do que a dos outros, é apenas diferente. Hei-de sentir-me menos marginal. Agora preciso de cuidar de mim. De me amamentar, de me acarinhar, de me fazer bem, suavemente.